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	<title>Labirinto2's Blog</title>
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		<title>06. Adeus, minha adorada</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Nov 2011 02:21:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Abs Moraes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caminhos]]></category>
		<category><![CDATA[K.I.S.S.]]></category>

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		<description><![CDATA[O roteiro escapou de meus dedos adormecidos e o som de papel, talvez mais pesado do que deveria, talvez por estar encharcado de sangue (onírico ou n&#227;o), me arrancou da letargia e pude ouvir a voz de Sim&#227;o, meu pai, grunhindo um xingamento qualquer, um flash inesperado da inf&#226;ncia de que eu n&#227;o sentia a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=labirinto2.wordpress.com&amp;blog=7568955&amp;post=268&amp;subd=labirinto2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify" class="MsoNormal"><font>O roteiro escapou de meus dedos adormecidos e o som de papel, talvez mais pesado do que deveria, talvez por estar encharcado de sangue (onírico ou n&atilde;o), me arrancou da letargia e pude ouvir a voz de Sim&atilde;o, meu pai, grunhindo um xingamento qualquer, um flash inesperado da inf&acirc;ncia de que eu n&atilde;o sentia a menor nostalgia. &ldquo;M&atilde;o furada&rdquo;, &ldquo;Já morreu&rdquo; ou algo do tipo. O importante era fazer-me sentir inadequado, indesejado, inapropriado para ser o filho legítimo do Grande Mago.</font></p>
<p align="justify" class="MsoNormal"><font>Omar olhava pra mim com a condescend&ecirc;ncia que só mesmo o &ldquo;Criador&rdquo; poderia demonstrar. Diferente do que certos círculos teológicos propalam, Deus n&atilde;o se negou a Onisci&ecirc;ncia a fim de preservar o livre arbítrio da humanidade. Ele soube que eu sabia assim que pisquei os olhos e saí do cochilo-com-gatilho-mnem&ocirc;nico e da influ&ecirc;ncia protetora do Instrumento da Morte. Éramos só nós novamente na réplica da casinha do quadrinhista morto.</font></p>
<p align="justify" class="MsoNormal"><font>&ldquo;Isso é bem mais do que combinamos, Yadalbaoth.&rdquo;</font></p>
<p align="justify" class="MsoNormal"><font>&ldquo;Interessante, Lúcio, que voc&ecirc; demonstre qualquer pudor em eliminar escumalha como Filipe.&rdquo;</font></p>
<p align="justify" class="MsoNormal"><font>&ldquo;Olha, o cara já n&atilde;o tinha sido punido o bastante? Séculos de reencarna&ccedil;&otilde;es até queimar todo o carma ruim e, do nada, ele volta &agrave; estaca zero? Que mal o sujeito tinha feito nesta encarna&ccedil;&atilde;o?&rdquo;</font></p>
<p align="justify" class="MsoNormal"><font>&ldquo;&#8230;&rdquo;</font></p>
<p align="justify" class="MsoNormal"><font>&ldquo;Além disso, a combina&ccedil;&atilde;o n&atilde;o era eu me tornar seu novo Azrael. N&atilde;o sou seu anjo da morte. N&atilde;o quero ser só isso.&rdquo;</font></p>
<p align="justify" class="MsoNormal"><font>&ldquo;Sabe, Lúcio, o acordo era simples. Prestar servi&ccedil;os, usufruir das amenidades que um amigo influente pode proporcionar.&rdquo;</font></p>
<p align="justify" class="MsoNormal"><font>&ldquo;Claro que voc&ecirc; n&atilde;o fez quest&atilde;o de deixar isso claro. Evidente que toda aquela conversa de que devolver a vida de Penélope era algo que voc&ecirc; fez porque quis era mentira.&rdquo;</font></p>
<p align="justify" class="MsoNormal"><font>Esperei que ele absorvesse o que falei e segurei a respira&ccedil;&atilde;o. Ele era onisciente, onipotente e onipresente. O tempo n&atilde;o tinha significado pra Yada. Tudo que fez poderia ser desfeito de modo simples e rápido, porque, estando em todos os lugares e tempos ele poderia simplesmente deixar de fazer algo e seria como se nunca tivesse feito pra come&ccedil;o de conversa. Eu n&atilde;o podia blefar, claro, pois ele perceberia. Portanto menti. E ele percebeu que o pior que poderia fazer pra me punir n&atilde;o era cancelar a vida de Penélope, mas afastá-la de mim, faz&ecirc;-la esquecer-me, apagar seu amor ou o que quer que ela sentisse por mim.</font></p>
<p align="justify" class="MsoNormal"><font>&ldquo;Truque. Pois bem, Lúcio. Ela vai viver. Voc&ecirc; já sabe o que vai acontecer, n&atilde;o? N&atilde;o é preciso ser onisciente para saber.&rdquo;</font></p>
<p align="justify" class="MsoNormal"><font>Eu sabia. N&atilde;o queria ouvir mais. Precisei reunir toda minha for&ccedil;a de vontade pra n&atilde;o cair de joelhos e dizer que voltava atrás, que mataria quem quer que fosse em seu nome pra manter Penélope em minha vida.</font></p>
<p align="justify" class="MsoNormal"><font>&ldquo;No entanto&#8230; n&atilde;o pense que acabou, Lúcio. Voc&ecirc; ainda me deve e vai trabalhar pra saudar essa dívida.&rdquo;</font></p>
<p align="justify" class="MsoNormal"><font>&ldquo;Te devia minha vida. Filipe por mim. N&atilde;o mato mais em seu nome.&rdquo;</font></p>
<p align="justify" class="MsoNormal"><font>&ldquo;Mas vai fazer outros servi&ccedil;os. N&atilde;o hoje nem amanh&atilde;. Quando for necessário. Quando eu quiser.&rdquo;</font></p>
<p align="justify" class="MsoNormal"><font>A porta se fechou atrás de mim e sabia que, dessa vez, n&atilde;o tinha melhor metáfora que essa apesar de ser t&atilde;o clich&ecirc;: uma porta que se fecha. Meu deus ex-machina particular? N&atilde;o mais. O amor de minha vida? Idem.</font></p>
<p align="justify" class="MsoNormal"><font>Era adeus.</font></p>
<p align="justify">Mas ela continuaria viva.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/labirinto2.wordpress.com/268/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/labirinto2.wordpress.com/268/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/labirinto2.wordpress.com/268/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/labirinto2.wordpress.com/268/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/labirinto2.wordpress.com/268/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/labirinto2.wordpress.com/268/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/labirinto2.wordpress.com/268/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/labirinto2.wordpress.com/268/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/labirinto2.wordpress.com/268/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/labirinto2.wordpress.com/268/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/labirinto2.wordpress.com/268/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/labirinto2.wordpress.com/268/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/labirinto2.wordpress.com/268/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/labirinto2.wordpress.com/268/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=labirinto2.wordpress.com&amp;blog=7568955&amp;post=268&amp;subd=labirinto2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>05. Despertar</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Oct 2011 20:42:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Abs Moraes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caminhos]]></category>
		<category><![CDATA[K.I.S.S.]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8216;Sair do roteiro&#8217; é uma express&#227;o que costuma ser usada menos literalmente do que o que experimentei ao término da história. Ao invés de retornar ao ponto de partida, ao momento e lugar em que comecei a leitura, fui acordar dentro do mesmo cenário de sonho citado no come&#231;o deste relato: a cozinha e seu [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=labirinto2.wordpress.com&amp;blog=7568955&amp;post=267&amp;subd=labirinto2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify" class="MsoNormal"><font>&lsquo;Sair do roteiro&rsquo; é uma express&atilde;o que costuma ser usada menos literalmente do que o que experimentei ao término da história. Ao invés de retornar ao ponto de partida, ao momento e lugar em que comecei a leitura, fui acordar dentro do mesmo cenário de sonho citado no come&ccedil;o deste relato: a cozinha e seu equipamento, o faqueiro falante com o acréscimo, desta vez,&nbsp; de uma grande quantidade de sangue. A maior faca do jogo disse &ldquo;N&atilde;o se preocupe, Lúcio, ninguém foi ferido na produ&ccedil;&atilde;o deste sonho&#8230; ninguém que importe&rdquo;.</font></p>
<p align="justify" class="MsoNormal"><font>Deslizei minha m&atilde;o por seu cabo e senti-a como uma extens&atilde;o viva de meu bra&ccedil;o. A faca simboliza sabedoria, lembrei, associando livremente o que sabia a respeito do naipe de espadas do baralho comum e do tarot com o método utilizado por Salom&atilde;o para resolver a disputa de duas mulheres que clamavam a maternidade de uma só crian&ccedil;a.</font></p>
<p align="justify" class="MsoNormal"><font>&ldquo;Santa Joana dos Matadouros, Virgem dos Assassinos&#8230;&rdquo;</font></p>
<p align="justify" class="MsoNormal"><font>Nomes t&ecirc;m poder. A faca an&ocirc;nima assumiu sua verdadeira identidade: a l&acirc;mina tornou-se negra; o cabo revelou-se esculpido em osso, branco. O instrumento do Anjo da Morte mostrou-se, ele próprio algo assustador, profano e sexy.</font></p>
<p align="justify" class="MsoNormal"><font>&ldquo;Muito bem, querido, voc&ecirc; lembrou. Quando despertar deste momento de lucidez tente fazer o mesmo, reter a informa&ccedil;&atilde;o que te entrego agora.&rdquo;</font></p>
<p align="justify" class="MsoNormal"><font>Ent&atilde;o eu soube das verdadeiras inten&ccedil;&otilde;es de Yaldabaoth ao ajudar-me, melhor, ao levar-me a fazer uso do Instrumento do Anjo que, por uma raz&atilde;o que me escapou naquele momento, quis me fazer ciente do papel que cabia a mim nos planos do demiurgo.</font></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/labirinto2.wordpress.com/267/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/labirinto2.wordpress.com/267/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/labirinto2.wordpress.com/267/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/labirinto2.wordpress.com/267/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/labirinto2.wordpress.com/267/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/labirinto2.wordpress.com/267/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/labirinto2.wordpress.com/267/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/labirinto2.wordpress.com/267/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/labirinto2.wordpress.com/267/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/labirinto2.wordpress.com/267/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/labirinto2.wordpress.com/267/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/labirinto2.wordpress.com/267/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/labirinto2.wordpress.com/267/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/labirinto2.wordpress.com/267/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=labirinto2.wordpress.com&amp;blog=7568955&amp;post=267&amp;subd=labirinto2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>04. Nas páginas</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Jan 2011 05:50:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Abs Moraes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caminhos]]></category>
		<category><![CDATA[K.I.S.S.]]></category>

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		<description><![CDATA[Podia ver uma forma humana atada como um cordeiro pronto pra ser imolado a meus pés, com todo material necessário pra esse tipo de rito já ali, montado, só esperando uma fagulha pra entrar em igni&#231;&#227;o.. Eu estava sentado em uma cadeira e, como n&#227;o tinha controle algum sobre minhas falas e a&#231;&#245;es, me vi [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=labirinto2.wordpress.com&amp;blog=7568955&amp;post=266&amp;subd=labirinto2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><span>Podia ver uma forma humana atada como um cordeiro pronto pra ser imolado a meus pés, com todo material necessário pra esse tipo de rito já ali, montado, só esperando uma fagulha pra entrar em igni&ccedil;&atilde;o.. Eu estava sentado em uma cadeira e, como n&atilde;o tinha controle algum sobre minhas falas e a&ccedil;&otilde;es, me vi repetindo o ritual que sempre fa&ccedil;o ao necessitar de foco e for&ccedil;a.</span></p>
<p align="justify">Risquei o fósforo na lateral da caixa e o ergui, aceso, até a ponta de meu cigarro sagrado. Inalei nicotina, alcatr&atilde;o e uma porrada de outras subst&acirc;ncias, demais até pra enumerar, algumas nem conhecidas pela ci&ecirc;ncia, já que o tabaco foi aben&ccedil;oado pelo Filho e tudo mais. A fuma&ccedil;a come&ccedil;ou a agir em meu organismo, moléculas de nicotina ligando-se aos neur&ocirc;nios velhos de guerra, ativando meu sistema de recompensa.</p>
<p align="justify">Era um servi&ccedil;o sujo mas ainda podia me sentir bem comigo mesmo. Um tipo de justi&ccedil;a divina, no final das contas. Traguei meu cigarro miraculoso, cruzei as pernas e disparei:</p>
<p align="justify">&ldquo;Sabe, Filipe, pra Jacques de Molay o fogo sinalizou o fim. Pra voc&ecirc; será um recome&ccedil;o. Falando em Jacques &#8211; c&ecirc; n&atilde;o adora o som desse nome? &#8211; os sabujos da Inquisi&ccedil;&atilde;o eram foda, n&atilde;o?</p>
<p align="justify">&ldquo;Queimá-lo em fogo lento até n&atilde;o sobrar coisa alguma além de cinzas n&atilde;o foi zelo demais? Sem contar os outros milhares de templários, claro. Pra que tudo isso?</p>
<p align="justify">&ldquo;Poder, certo? &Agrave;s vezes n&atilde;o tem como evitar chamar as coisas pelo nome que t&ecirc;m.</p>
<p align="justify">&ldquo;O meu? Garanto que n&atilde;o sou exatamente uma coisa, mas se acha importante me chama de Lúcio. Vai ter que servir pra voc&ecirc;.</p>
<p align="justify">&ldquo;Só pra refrescar sua memória e me assegurar de que c&ecirc; saiba por qu&ecirc; tá aqui e entenda o que vem a seguir:</p>
<p align="justify">&ldquo;De Molay era o Gr&atilde;o-Mestre da Ordem do Templo. Seus membros s&atilde;o lembrados até hoje como Templários&#8230; rárárá, óbvio, certo?</p>
<p align="justify">&ldquo;Qu&ecirc;? Nunca ouviu falar? N&atilde;o vai ao cinema? N&atilde;o l&ecirc;? N&atilde;o assiste ao Discovery Channel?</p>
<p align="justify">&ldquo;Uma lástima, Filipe&#8230; voc&ecirc; é um ser humano lamentável.</p>
<p align="justify">&ldquo;De qualquer jeito, a Ordem tinha um poderio militar, financeiro e religioso que cresceu durante as cruzadas de reconquista dos assim chamados &lsquo;territórios santos&rsquo; que estavam em poder dos mu&ccedil;ulmanos.</p>
<p align="justify">&ldquo;Isso incluía o Templo de Salom&atilde;o, que deu nome &agrave; Ordem. &Agrave;s vezes me pego pensando no que Hiram Abiff diria se soubesse da bagun&ccedil;a que voc&ecirc; fez na Fran&ccedil;a, velho.</p>
<p align="justify">&ldquo;O poderio dos meninos de saiote, como já insinuei, cresceu e eles passaram a ser vistos como uma amea&ccedil;a pelas pessoas erradas.</p>
<p align="justify">&ldquo;Voc&ecirc; e seu criado, Bertrand Goth, por exemplo, já ostentando o nome papal Clemente V, conspiraram pra derrubá-los. A escolha do nome foi mais uma ironia? Voc&ecirc;s acharam que passaria despercebido?</p>
<p align="justify">&ldquo;N&atilde;o importa, aliás, n&atilde;o precisaram de grande inspira&ccedil;&atilde;o pra realizar seus objetivos. Bastou alimentarem os rumores já existentes que implicavam a Ordem&#8230; práticas n&atilde;o muito crist&atilde;s, pelo menos n&atilde;o naquele momento histórico. Feiti&ccedil;aria, sodomia, idolatria&#8230; faz lembrar um pouco da técnica de demoniza&ccedil;&atilde;o utilizada pelo ministro da propaganda do tio Adolph, n&atilde;o? Clemente foi seu Goebbels ou voc&ecirc; pensou em tudo sozinho?</p>
<p align="justify">&ldquo;Com a Fran&ccedil;a individada até as orelhas, voc&ecirc; n&atilde;o hesitou em matar dois coelhos com uma só paulada. Sem templários o risco de insurrei&ccedil;&atilde;o organizada contra um rei fraco diminuía e, claro, voc&ecirc; confiscaria o tesouro da Ordem que, &agrave; essa altura, era riquíssima.</p>
<p align="justify">&ldquo;Sem Clemente voc&ecirc; estaria perdido. Sem o apoio da &lsquo;santa igreja&rsquo; e da inquisi&ccedil;&atilde;o, seu plano redundaria &nbsp;em nada. Por isso o pequeno arcebispo de Bordéus precisou chegar ao trono pontifício mais cedo.</p>
<p align="justify">&ldquo;Vim pra lembrar-lhe dessas e de outras coisas, Filipe. Que voc&ecirc; n&atilde;o contava, por exemplo, com atitudes diferentes da sua por parte de outros soberanos do Ocidente.</p>
<p align="justify">&ldquo;Eles protegeram a Ordem com o truque mais velho do mundo, renomeando-a. Só que Jacques já tinha queimado, ele e outros milhares de seus irm&atilde;os. Aos sobreviventes só restava vingan&ccedil;a.&rdquo;</p>
<p align="justify">&Agrave; essa altura, o cigarro tinha se apagado, sido devolvido &agrave; sua caixa e restaurado &agrave; forma original. O timing era perfeito. Risquei outro fósforo, acendi-o. Além de ficar sentado numa cadeira, fumar e entregar um discurso, só precisava fazer mais uma coisa por Omar. Mantive o fósforo aceso enquanto prosseguia com minha ladainha.</p>
<p align="justify">&ldquo;As cinzas de De Molay foram recolhidas pelo cavaleiro Aumont em 19 de mar&ccedil;o de 1313. Com elas, Aumont fez o cimento com o qual construiria algo que ocuparia o vácuo deixado pela Ordem: a franco-ma&ccedil;onaria.</p>
<p align="justify">&ldquo;Isso nos traz ao motivo pelo qual voc&ecirc; está aqui hoje:</p>
<p align="justify">&ldquo;Vingan&ccedil;a.&rdquo;</p>
<p align="justify">A chama que queimara o fósforo até sua metade, lambeu a ponta dos meus dedos e soltei-o. O fogo atingiu o fio de combustível no ch&atilde;o que funcionaria como um rastilho de pólvora e acenderia a madeira sobre a qual o corpo amarrado e amorda&ccedil;ado de Filipe, agora, se debatia.</p>
<p align="justify">&ldquo;Voc&ecirc; é a encarna&ccedil;&atilde;o mais recente de Filipe, O Belo, e também seu último descendente. Memória celular, filogenética é a justificativa científica pra reencarna&ccedil;&atilde;o, só que sem o mesmo romance do conceito místico.</p>
<p align="justify">&ldquo;Cientistas n&atilde;o considerariam que voc&ecirc; passou por centenas de encarna&ccedil;&otilde;es até hoje e perderiam o que este momento tem de mais hilário:</p>
<p align="justify">&ldquo;Esta é a sua última, o último degrau que voc&ecirc; galgaria pro Nirvana, o Paraíso. Durante sete séculos voc&ecirc; purgou os pecados cometidos em nome da gan&acirc;ncia e do medo e agora estaria limpo e seguro pra vida eterna. Karma esgotado. Nada a saldar.</p>
<p align="justify">&ldquo;Exceto que o tempo desta vida ainda n&atilde;o terminou e, portanto, voc&ecirc; ainda deve, a balan&ccedil;a ainda pende negativamente pra voc&ecirc;. Por isso fui enviado, pra adiar o que seria inevitável.</p>
<p align="justify">&ldquo;Como ter certeza que em sua próxima vida voc&ecirc; n&atilde;o será um terrorista, um estuprador ou coisa pior? Como ter certeza de que sua agonia n&atilde;o será prolongada um pouco mais? Meu empregador pede que lhe diga que tudo será arranjado pra que aconte&ccedil;a dessa forma.</p>
<p align="justify">&ldquo;&lsquo;Lilia pedibus destrue&rsquo;, destruir os lírios com os pés, tornou-se o lema dos herdeiros da Ordem. O antigo voc&ecirc; conhece. N&atilde;o?</p>
<p align="justify">&ldquo;&lsquo;Igni naturae renovatur integrae&rsquo;, a natureza é completamente renovada pelo fogo.</p>
<p align="justify">&ldquo;O lírio, Filipe, é o símbolo bíblico da beleza. Voc&ecirc; ainda se considera &lsquo;O Belo&rsquo;?</p>
<p align="justify">&ldquo;N&atilde;o precisa responder.Tá na cara.</p>
<p align="justify">&ldquo;Afinal o círculo de Jacques se fechou e a vingan&ccedil;a prometida foi concretizada&#8230; o seu, Filipe, recome&ccedil;a agora, como já tinha sido dito.</p>
<p align="justify"><span>&ldquo;Última coisa: quando acusou a Ordem de feiti&ccedil;aria&#8230; bom, foi só um meio-certo. Eles eram adoradores de uma entidade sobrenatural, só que n&atilde;o era o diabo, tampouco um diabo. Era Yaldabaoth, o Demiurgo, a totalidade, se voc&ecirc; preferir assim, e n&atilde;o um Baphomet&#8230; um símbolo da </span><span>totalidade.&rdquo;</span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/labirinto2.wordpress.com/266/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/labirinto2.wordpress.com/266/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/labirinto2.wordpress.com/266/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/labirinto2.wordpress.com/266/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/labirinto2.wordpress.com/266/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/labirinto2.wordpress.com/266/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/labirinto2.wordpress.com/266/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/labirinto2.wordpress.com/266/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/labirinto2.wordpress.com/266/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/labirinto2.wordpress.com/266/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/labirinto2.wordpress.com/266/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/labirinto2.wordpress.com/266/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/labirinto2.wordpress.com/266/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/labirinto2.wordpress.com/266/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=labirinto2.wordpress.com&amp;blog=7568955&amp;post=266&amp;subd=labirinto2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>03. Roteiro</title>
		<link>http://labirinto2.wordpress.com/2011/01/17/03-roteiro/</link>
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		<pubDate>Mon, 17 Jan 2011 04:18:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Abs Moraes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;Quero te usar como personagem numa hq nova.&#8221;, ele disse, mas vindo dele as implica&#231;&#245;es iam muito além do simples &#8220;usar seu nome, sua atitude, sua apar&#234;ncia&#8221;. Onipot&#234;ncia, certo? &#8220;Sei&#8221;, consegui articular, &#8220;E o que isso significa exatamente?&#8221; &#8220;Por qu&#234; voc&#234; n&#227;o l&#234; o roteiro e descobre?&#8221;, soltou, me passando um punhado de folhas grampeadas. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=labirinto2.wordpress.com&amp;blog=7568955&amp;post=265&amp;subd=labirinto2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">&ldquo;Quero te usar como personagem numa hq nova.&rdquo;, ele disse, mas vindo dele as implica&ccedil;&otilde;es iam muito além do simples &ldquo;usar seu nome, sua atitude, sua apar&ecirc;ncia&rdquo;. Onipot&ecirc;ncia, certo?</p>
<p align="justify">&ldquo;Sei&rdquo;, consegui articular, &ldquo;E o que isso significa exatamente?&rdquo;</p>
<p align="justify">&ldquo;Por qu&ecirc; voc&ecirc; n&atilde;o l&ecirc; o roteiro e descobre?&rdquo;, soltou, me passando um punhado de folhas grampeadas. </p>
<p align="justify">Com palavras e mais palavras digitadas em caixa alta na descri&ccedil;&atilde;o de painéis e em baixa nas falas do personagem principal. Na verdade a coisa toda n&atilde;o passava de um monólogo que, supostamente, seria dito por minha vers&atilde;o de papel.</p>
<p align="justify">O título: A CONTINUIDADE DO FOGO, por Omar Espírito Santo.</p>
<p align="justify">&ldquo;&lsquo;Quebrando as espadas, os templários fizeram punhais; e as pás de pedreiro proscritas eram usadas na ma&ccedil;onaria dos túmulos.&rsquo; Histoire de la Magie, do bom e velho Eliphas? Isso é, o qu&ecirc;, epígrafe? É só o roteiro de uma história em quadrinhos mesmo ou tem mais aqui do que pode ser percebido a olho nu?&rdquo;, perguntei, e Omar/Yada deu um sorrisinho enigmático. &ldquo;Claro, pergunta idiota pra se fazer a alguém que disse &lsquo;que haja luz e a luz se fez&rsquo;, certo? Dá pra sacar aonde isso vai levar de longe.&rdquo;</p>
<p align="justify">&ldquo;Um servi&ccedil;o. Um daqueles que te disse que gostaria que realizasse por mim. Tudo que precisa fazer é dizer as palavras. O resto vai acontecer sem esfor&ccedil;o algum de sua parte.&rdquo;</p>
<p align="justify">&ldquo;Sei do que c&ecirc; tá falando&#8230; Por qu&ecirc; voc&ecirc; mesmo n&atilde;o as diz, Omar?&rdquo;</p>
<p align="justify">&ldquo;Lúcio, Lúcio, Lúcio&#8230; voc&ecirc; n&atilde;o faz ideia do quanto me faz lembrar do seu quase hom&ocirc;nimo. Tanta curiosidade levou-o a contestar-me e, depois, a rebelar-se. O servi&ccedil;o&#8230; bom, é só um pouquinho sujo, sabe? Uma pend&ecirc;ncia milenar. Encontrei o culpado e quero retribuir. Só isso.&rdquo;</p>
<p align="justify">&ldquo;Eles eram seus? O supra-sumo da cristandade, os monges guerreiros idealizados até o cu fazer bico eram sua cria&ccedil;&atilde;o?&rdquo;</p>
<p align="justify">&ldquo;A que Templo voc&ecirc; acha que o título que escolheram pra si mesmos se referia?&rdquo;</p>
<p align="justify">Subentendidos, autorefer&ecirc;ncia&#8230; Talvez Yada estivesse levando o papel de Omar um pouco mais longe do que deveria. Toda essa coisa pós-moderna do seu discurso me incomodava, claro, mas era difícil pensar em algo nele que n&atilde;o tivesse o mesmo efeito em mim. Poderoso demais, imprevisível demais&#8230; Tentei conter minha curiosidade. Fui bem sucedido por, sei lá, dez ou quinze minutos, e comecei a ler.</p>
<p align="justify">Imediatamente meu mundo tornou-se bidimensional, preto, branco.</p>
<p align="justify">Que loucura.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/labirinto2.wordpress.com/265/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/labirinto2.wordpress.com/265/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/labirinto2.wordpress.com/265/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/labirinto2.wordpress.com/265/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/labirinto2.wordpress.com/265/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/labirinto2.wordpress.com/265/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/labirinto2.wordpress.com/265/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/labirinto2.wordpress.com/265/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/labirinto2.wordpress.com/265/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/labirinto2.wordpress.com/265/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/labirinto2.wordpress.com/265/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/labirinto2.wordpress.com/265/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/labirinto2.wordpress.com/265/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/labirinto2.wordpress.com/265/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=labirinto2.wordpress.com&amp;blog=7568955&amp;post=265&amp;subd=labirinto2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>02. Disciplina</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Jan 2011 03:56:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Abs Moraes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caminhos]]></category>
		<category><![CDATA[K.I.S.S.]]></category>

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		<description><![CDATA[Algumas vezes o jeito mais rápido de ir aonde se é necessário n&#227;o consiste em andar entre momentos ou pegar um táxi. Por isso pus os pés no cal&#231;amento de pedra nua com o firme propósito de andar no aqui e agora, sentir a dureza do ch&#227;o sob meus pés e, como consequ&#234;ncia, acreditar que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=labirinto2.wordpress.com&amp;blog=7568955&amp;post=264&amp;subd=labirinto2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Algumas vezes o jeito mais rápido de ir aonde se é necessário n&atilde;o consiste em andar entre momentos ou pegar um táxi. Por isso pus os pés no cal&ccedil;amento de pedra nua com o firme propósito de andar no aqui e agora, sentir a dureza do ch&atilde;o sob meus pés e, como consequ&ecirc;ncia, acreditar que estava ancorado na realidade, ou pelo menos, em uma realidade, sem ser levado por qualquer pessoa ao meu destino. Era uma atitude simples e necessária antes de encarar Omar ou Yada (ainda n&atilde;o me acostumei com como devo chamá-lo). O sujeito continuava sendo uma das criaturas mais assustadoras com que já cruzei mesmo usando a apar&ecirc;ncia de bom velhinho criador de histórias em quadrinhos.</p>
<p align="justify">Interessante que ao abra&ccedil;ar minha sugest&atilde;o e assumir a apar&ecirc;ncia de Omar, Yada assimilou quase tudo que tornava o homem quem ele era e fazia quest&atilde;o de que sua personifica&ccedil;&atilde;o fosse perfeita. N&atilde;o eram só os detalhes que diziam respeito a corte de cabelo, roupas, desodorante, comida ou bebida preferidas. Yada também mudou-se pra mesma vizinhan&ccedil;a e cumpria ritualmente as rotinas que Omar manteve em seus últimos anos. Até pensou em confeccionar cópias da esposa do desenhista e de seu filho mas o convenci do contrário.</p>
<p align="justify">Já era mais que trabalhoso transformar a presen&ccedil;a de um cidad&atilde;o assassinado em algo aceitável por parte dos vizinhos (e a equipe toda rebolou muito pra fazer isso acontecer sem usar qualquer tipo de controle mental, segundo instru&ccedil;&otilde;es do próprio Yada) e seria um pesadelo logístico providenciar algo semelhante pro construto da esposa&#8230; embora o filho n&atilde;o tivesse morrido, também consideramos difícil justificar sua presen&ccedil;a.</p>
<p align="justify">Claro que, com as portas fechadas, Omar fazia o que bem entendia. Uma de suas divers&otilde;es favoritas era criar e habitar vários corpos ao mesmo tempo e gostava particularmente de faz&ecirc;-lo com trios. &Agrave;s vezes me via lidando com Omar, a mulher e o filho, sua alus&atilde;o &agrave; santíssima trindade que tanto desprezava, enquanto ouvia a voz do demiurgo saindo das bocas de toda a família&#8230; era estranho e inc&ocirc;modo.</p>
<p align="justify">O que ele tinha planejado pra mim, no entanto, podia ultrapassar os limites do que considero tolerável. A disciplina a que ele se referia era a de fazer histórias em quadrinhos. Como disse antes, o sujeito estava imbuído do espírito de simular perfeitamente, mas n&atilde;o lhe bastava só copiar as habilidades do morto cuja identidade adotou usando sua onipot&ecirc;ncia. Pra ser Omar, Yada decidiu que teria de aprender a desenhar e escrever exatamente como seu modelo fazia.</p>
<p align="justify">Ent&atilde;o, muito simples pra ele, decidiu usar sua onipot&ecirc;ncia &nbsp;para viver todas as experi&ecirc;ncias que Omar tivera e o formaram, o que implicava viagem no tempo (&ldquo;Uma ilus&atilde;o. Elaborada e perfeitamente executada &#8211; n&atilde;o poderia esperar menos de mim mesmo &#8211; mas uma ilus&atilde;o&rdquo;, diria com a cara mais lavada) e algumas outras trapa&ccedil;as só possíveis pra alguém como ele. &Agrave;s vezes Yada podia dizer coisas interessantes, como &ldquo;Por qu&ecirc; todos voc&ecirc;s s&atilde;o fascinados com desenho nos primeiros 4 ou 5 anos de vida e a grande maioria simplesmente o abandona depois? O que faz com que só uns poucos continuem?&rdquo;; em outras, podia ser só críptico, o que, acho, combinava muito mais com a personalidade registrada no Velho Testamento. &ldquo;Talvez os dentes de leite expliquem isso um pouco.&rdquo;, soltava, sem qualquer raz&atilde;o aparente. Descobri depois que Omar, por mais velho que estivesse, ainda tinha dois de sua primeira denti&ccedil;&atilde;o na época em que morreu e Yada, óbvio, também imitou-o nisso.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/labirinto2.wordpress.com/264/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/labirinto2.wordpress.com/264/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/labirinto2.wordpress.com/264/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/labirinto2.wordpress.com/264/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/labirinto2.wordpress.com/264/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/labirinto2.wordpress.com/264/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/labirinto2.wordpress.com/264/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/labirinto2.wordpress.com/264/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/labirinto2.wordpress.com/264/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/labirinto2.wordpress.com/264/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/labirinto2.wordpress.com/264/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/labirinto2.wordpress.com/264/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/labirinto2.wordpress.com/264/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/labirinto2.wordpress.com/264/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=labirinto2.wordpress.com&amp;blog=7568955&amp;post=264&amp;subd=labirinto2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A continuidade do fogo</title>
		<link>http://labirinto2.wordpress.com/2010/12/30/a-continuidade-do-fogo/</link>
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		<pubDate>Thu, 30 Dec 2010 02:58:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Abs Moraes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caminhos]]></category>
		<category><![CDATA[K.I.S.S.]]></category>

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		<description><![CDATA[01. Mensagem, apari&#231;&#227;o, sexo Em sonho. A revela&#231;&#227;o veio a mim como a S&#227;o Jo&#227;o na Ilha de Pátmos ou a Lucas na praia de onde antes se via Peniel. Apesar disso, meu cenário onírico era diferente. Uma cozinha ou atelier culinário em que se podia encontrar geladeira com freezer, fog&#227;o e balc&#227;o com pia [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=labirinto2.wordpress.com&amp;blog=7568955&amp;post=263&amp;subd=labirinto2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">01. Mensagem, apari&ccedil;&atilde;o, sexo </p>
<p align="justify">Em sonho. A revela&ccedil;&atilde;o veio a mim como a S&atilde;o Jo&atilde;o na Ilha de Pátmos ou a Lucas na praia de onde antes se via Peniel. Apesar disso, meu cenário onírico era diferente. Uma cozinha ou atelier culinário em que se podia encontrar geladeira com freezer, fog&atilde;o e balc&atilde;o com pia e dezenas de outras ferramentas do ofício de chef&#8230; panelas, pratos e talheres arrumados em gavetas, prateleiras e portas embutidas. Papel de parede estampado com marretas e cravos. </p>
<p align="justify">A mensagem foi entregue por um faqueiro.</p>
<p align="justify">Quase lembrei ao acordar. Uma advert&ecirc;ncia. A voz feminina, sonolenta, que parecia sussurrar entre len&ccedil;óis &ldquo;Ele vai usá-lo novamente, Lúcio, vai usá-lo para matar, querido, como antes&#8230;&rdquo;</p>
<p align="justify">Algum motivo especial pras palavras virem dali? O que facas simbolizam mesmo? Um aviso desse tipo precisa ser levado a sério, ainda mais quando um conjunto inox de l&acirc;minas se preocupa em dá-lo.</p>
<p align="justify">Deus escrevia meu destino agora. Ou um deus. Ignorava a categoria adequada em que Yaldabaoth se enquadrava &#8211; até eu cedo &agrave; necessidade humana de rotular &#8211; e, também, que minha afilia&ccedil;&atilde;o tornara-se algo definido n&atilde;o pela dívida que tinha com o demiurgo por devolver Penélope ao mundo dos vivos.</p>
<p align="justify">Era outra coisa.</p>
<p align="justify">O despertar foi diferente do de costume. Ao invés de passar pelo purgatório corriqueiro entre o sono e a vigília, só abri os olhos, parecia n&atilde;o ter dormido. Apavorante. Uma vida inteira acordando de um jeito e, de repente, algo muda. Nada que pudesse identificar de cara, só uma coisinha sutil, uma sinapse que ainda n&atilde;o existia, que talvez tivesse sido criada durante o sono ou que esteva ali desde sempre, inativa, esperando pela corrente eletroquímica certa para funcionar.</p>
<p align="justify">Sorri. Nada com que me preocupar, pensei. Tudo vai bem. Esta sensa&ccedil;&atilde;o quase beatífica foi ativada por meu olfato, que identificou o cheiro de café fresco sendo coado e de proteína fritando na chapa.</p>
<p align="justify">Penélope veio durante &agrave; noite. Lembrei de, ao chegar em casa (o loft que montei no meu armazém), encontrá-la dormindo, enrolada em um cobertor que tinha meu cheiro (ou seria fedor?) mesmo n&atilde;o estando t&atilde;o frio. Sentei na cama, observei-a ressonando de leve como fiz tantas outras vezes e sussurrei um breve &ldquo;Valeu, Yada&rdquo; porque, sim, tinha valido e naquele momento n&atilde;o importava que pre&ccedil;o teria que pagar.</p>
<p align="justify">Ao contrário do que imaginei que aconteceria, Penélope n&atilde;o desapareceu de minha vida assim que se viu vivendo de forma independente. Sempre que podia (e isso costumava acontecer nos finais de semana) ela aparecia pra visitas surpresa, espont&acirc;neas, algo que lhe parecia perfeitamente natural, mas que pra mim era totalmente inédito, quase t&atilde;o inédito quanto acordar de vez.</p>
<p align="justify">Ent&atilde;o o frigir dos ovos (esse fraseado meio que denuncia há quanto tempo ando pelo mundo, mas, porra!, quem deveria se importar com esses detalhes n&atilde;o se importa, ent&atilde;o&#8230;) me tirou da recapitula&ccedil;&atilde;o útil e senti a vibra&ccedil;&atilde;o do est&ocirc;mago roncando. A coisa pareceu descontrolada, tive a impress&atilde;o de que Penélope ouviu do lugar que costumo chamar de cozinha o movimento de minhas tripas famintas.</p>
<p align="justify">&ldquo;A gente tem que alimentar esse alien, Lúcio, ou sabe deus o que ele pode fazer com sua caixa torácica.&rdquo;</p>
<p align="justify">Gracinha. Piada com cultura pop. Penélope é &ldquo;in&rdquo; até n&atilde;o poder mais.</p>
<p align="justify">Consegui cambalear até ela, que esgrimia a espátula com a mesma destreza de um estudante shao-lin e quase me cegou com sua arma improvisada. Tentei roubar um beijo de bom dia, mas ela me explicou o procedimento necessário pra garantir qualquer troca de fluídos, significando que eu deveria fazer a higiene bucal antes de qualquer contato entre nossas respectivas mucosas.</p>
<p align="justify">O que pra mim estava bem. Talvez a sensa&ccedil;&atilde;o de que algo tinha morrido dentro de minha boca enquanto eu dormia n&atilde;o fosse só uma sensa&ccedil;&atilde;o. As ablu&ccedil;&otilde;es podem entreter tanto quanto qualquer outra atividade nesse ramo. Tudo é cercado de mistérios e a gente nunca sabe com quem (ou &ldquo;o qu&ecirc;&rdquo;&#8230; &ldquo;quem&rdquo; n&atilde;o se aplica a um monte de, arr&atilde;, &ldquo;coisas&rdquo; com que lido no dia-a-dia) vai dar de cara em momentos que podem ser bastante constrangedores.</p>
<p align="justify">Felizmente n&atilde;o tinha sentado no grande altar de porcelana quando a manifesta&ccedil;&atilde;o aconteceu. Só esvaziando a bexiga. Tá bom, sei, detalhes demais&#8230; o jorro inicial e meu déficit de aten&ccedil;&atilde;o costumeiro ao me concentrar em aliviar a press&atilde;o em minha bexiga me fizeram perder as palavras iniciais do oráculo. &ldquo;&#8230;preciso te ver, Lúcio. Fiz progressos na disciplina. Imediatamente ou, pelo menos, o quanto antes.&rdquo;</p>
<p align="justify">Ver a cara de Omar Espírito Santo deformada por um jorro de urina e falando comigo sabendo que o sujeito tava morto n&atilde;o trouxe qualquer alento. N&atilde;o podia brigar com Yada por causa disso porque ele só seguiu uma sugest&atilde;o que dei num momento em que me faltou clareza.</p>
<p align="justify">Lavei o rosto, escovei os dentes e fui me juntar a Penélope pro café da manh&atilde;. A menina me fazia sair de mim mesmo como nenhuma outra mulher conseguiu antes. Num momento pensava em que porra Yada-Omar queria de mim, no seguinte só conseguia pensar na boca e no corpo de Penélope, em como sexo matutino era estimulante e, logo depois, que talvez n&atilde;o tivesse sido t&atilde;o boa ideia comer aqueles ovos e partir pra uma atividade física que, dependendo da parceira, pode demandar muita energia.</p>
<p align="justify">Pós-coito, me meti no chuveiro e enquanto esfregava shampoo no cabelo percebi as fei&ccedil;&otilde;es de Omar repetidas milhares de vezes nas gotas d&rsquo;água que caiam no meu corpo. Privacidade? Quem precisa dessa merda, certo?</p>
<p align="justify">&ldquo;Já entendi, Omar. Deixa só eu terminar isso aqui que tou saindo.&rdquo;</p>
<p align="justify">E ele, piedosamente, me deixou em paz.</p>
<p align="justify">Penélope ainda tava na cama quando saí. Dei um beijo demorado nela, disse que precisava resolver uma coisinha fora e voltava pra entret&ecirc;-la no máximo até o final da tarde. Ela fez charminho (taí um tro&ccedil;o que marmanjo nenhum jamais vai conseguir igualar quando feito por uma mulher bonita), virou de bru&ccedil;os (decúbito ventral?) me oferecendo uma vis&atilde;o do paraíso carnal que tava deixando pra trás e soltou um &ldquo;Ent&atilde;o tá, vai logo.&rdquo; que partiu meu cora&ccedil;&atilde;o.</p>
<p align="justify"><span>Sendo Omar quem era eu n&atilde;o podia só ignorar seu &lsquo;convite&rsquo; e continuar em casa. O sujeito teve bilh&otilde;es de anos pra aprender, criar ou disseminar as maneiras mais constrangedoras possíveis pra levar uma pessoa a fazer exatamente o que ele queria. Manifestar-se no vaso sanitário e no chuveiro nem eram as mais originais e/ou assustadoras. Experimente ser engolido por um monstro marinho, por exemplo. Ou ser achacado por um arbusto em chamas. Ou sair no bra&ccedil;o com um anjo.</span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/labirinto2.wordpress.com/263/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/labirinto2.wordpress.com/263/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/labirinto2.wordpress.com/263/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/labirinto2.wordpress.com/263/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/labirinto2.wordpress.com/263/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/labirinto2.wordpress.com/263/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/labirinto2.wordpress.com/263/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/labirinto2.wordpress.com/263/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/labirinto2.wordpress.com/263/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/labirinto2.wordpress.com/263/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/labirinto2.wordpress.com/263/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/labirinto2.wordpress.com/263/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/labirinto2.wordpress.com/263/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/labirinto2.wordpress.com/263/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=labirinto2.wordpress.com&amp;blog=7568955&amp;post=263&amp;subd=labirinto2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>05. Razão</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Nov 2010 03:14:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Abs Moraes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caminhos]]></category>
		<category><![CDATA[K.I.S.S.]]></category>

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		<description><![CDATA[Contar histórias, lhe disseram certa vez (ou lera em algum lugar, n&#227;o tinha certeza), tecer fic&#231;&#245;es a respeito de si, é uma forma de escapar da armadilha do ego, de evitar tornar-se prisioneiro de si mesmo. A vida, em seu caso, era um exercício de indefini&#231;&#227;o. Suas certezas, se é que as havia, jamais seriam [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=labirinto2.wordpress.com&amp;blog=7568955&amp;post=262&amp;subd=labirinto2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Contar histórias, lhe disseram certa vez (ou lera em algum lugar, n&atilde;o tinha certeza), tecer fic&ccedil;&otilde;es a respeito de si, é uma forma de escapar da armadilha do ego, de evitar tornar-se prisioneiro de si mesmo.</p>
<p align="justify">A vida, em seu caso, era um exercício de indefini&ccedil;&atilde;o.</p>
<p align="justify">Suas certezas, se é que as havia, jamais seriam absolutas.</p>
<p align="justify">Sua percep&ccedil;&atilde;o era algo de que desconfiava.</p>
<p align="justify">Contava-se histórias também a respeito dos outros, histórias que ajudavam a mapear causas e consequ&ecirc;ncias, as motiva&ccedil;&otilde;es que, pensava, levavam as pessoas a agir como agiam (ou agem, n&atilde;o tinha certeza, também, de qual seria o tempo verbal adequado para aquela ora&ccedil;&atilde;o).</p>
<p align="justify">Buscava raz&atilde;o quando tudo que existia em sua experi&ecirc;ncia era instinto. Anota&ccedil;&otilde;es sobre anota&ccedil;&otilde;es a respeito de como a natureza animal suplantava a racional, de como, ao sentirem-se amea&ccedil;adas, as pessoas costumavam agredir as outras ou, mais simples, fugir do conflito.</p>
<p align="justify">Luta ou fuga.</p>
<p align="justify">Perfeitamente animal.</p>
<p align="justify">Evidente que isso n&atilde;o lhe servia como justificativa pra coisa alguma.</p>
<p align="justify">Era impossível, por mais que quisesse, mimetizar a vida só com palavras. Era algo t&atilde;o enorme, t&atilde;o inabarcável, t&atilde;o irredutível&#8230;</p>
<p align="justify">Talvez, pensou, fosse melhor reduzir as vírgulas, aumentar a velocidade da prosa.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/labirinto2.wordpress.com/262/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/labirinto2.wordpress.com/262/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/labirinto2.wordpress.com/262/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/labirinto2.wordpress.com/262/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/labirinto2.wordpress.com/262/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/labirinto2.wordpress.com/262/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/labirinto2.wordpress.com/262/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/labirinto2.wordpress.com/262/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/labirinto2.wordpress.com/262/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/labirinto2.wordpress.com/262/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/labirinto2.wordpress.com/262/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/labirinto2.wordpress.com/262/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/labirinto2.wordpress.com/262/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/labirinto2.wordpress.com/262/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=labirinto2.wordpress.com&amp;blog=7568955&amp;post=262&amp;subd=labirinto2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>04. Interlúdio</title>
		<link>http://labirinto2.wordpress.com/2010/11/05/04-interludio/</link>
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		<pubDate>Fri, 05 Nov 2010 01:48:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Abs Moraes</dc:creator>
				<category><![CDATA[K.I.S.S.]]></category>
		<category><![CDATA[Minotauro]]></category>

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		<description><![CDATA[Como imaginou, escrever sobre sua percep&#231;&#227;o dos desafetos que atravancavam a vida cotidiana e despertavam uma ira que julgava justa, estava ajudando. Os problemas pareciam menores postos assim, em palavras, reduzindo sentimentos com os quais tinha dificuldade de&#160;lidar a propor&#231;&#245;es aceitáveis, com as quais podia viver facilmente sem deixar-se soterrar. O estresse havia diminuído. No [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=labirinto2.wordpress.com&amp;blog=7568955&amp;post=261&amp;subd=labirinto2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><span>Como imaginou, escrever sobre sua percep&ccedil;&atilde;o dos desafetos que atravancavam a vida cotidiana e despertavam uma ira que julgava justa, estava ajudando.</span></p>
<p align="justify"><span>Os problemas pareciam menores postos assim, em palavras, reduzindo sentimentos com os quais tinha dificuldade de&nbsp;lidar a propor&ccedil;&otilde;es aceitáveis, com as quais podia viver facilmente sem deixar-se soterrar.</span></p>
<p align="justify">O estresse havia diminuído.</p>
<p align="justify"><span>No entanto, diferente do que previu, seu <em>roman &agrave; clef</em> n&atilde;o se parecia muito com um romance, pelo menos n&atilde;o com aqueles que lhe eram familiares.</span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/labirinto2.wordpress.com/261/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/labirinto2.wordpress.com/261/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/labirinto2.wordpress.com/261/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/labirinto2.wordpress.com/261/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/labirinto2.wordpress.com/261/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/labirinto2.wordpress.com/261/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/labirinto2.wordpress.com/261/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/labirinto2.wordpress.com/261/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/labirinto2.wordpress.com/261/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/labirinto2.wordpress.com/261/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/labirinto2.wordpress.com/261/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/labirinto2.wordpress.com/261/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/labirinto2.wordpress.com/261/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/labirinto2.wordpress.com/261/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=labirinto2.wordpress.com&amp;blog=7568955&amp;post=261&amp;subd=labirinto2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>03. Rotunda</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Nov 2010 03:55:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Abs Moraes</dc:creator>
				<category><![CDATA[K.I.S.S.]]></category>
		<category><![CDATA[Minotauro]]></category>

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		<description><![CDATA[O nome foi imortalizado no cinema por Rita Hayworth, uma mulher de beleza incomparável. Quem atribui-o a menina deve ter imaginado que, por alguma opera&#231;&#227;o mágica, pelo menos a gra&#231;a e o glamour da estrela ou da personagem por ela interpretada seriam parte dos atrativos da pequena. Talvez em algum momento alguém a tenha achado [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=labirinto2.wordpress.com&amp;blog=7568955&amp;post=260&amp;subd=labirinto2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">O nome foi imortalizado no cinema por Rita Hayworth, uma mulher de beleza incomparável. Quem atribui-o a menina deve ter imaginado que, por alguma opera&ccedil;&atilde;o mágica, pelo menos a gra&ccedil;a e o glamour da estrela ou da personagem por ela interpretada seriam parte dos atrativos da pequena. Talvez em algum momento alguém a tenha achado desejável, provavelmente na adolesc&ecirc;ncia, quando praticamente todos s&atilde;o atraentes para alguém. A exoftalmia e o estrabismo n&atilde;o chegavam a torná-la repelente ent&atilde;o.</p>
<p align="justify">Os anos que a tornaram mulher e posteriormente dotaram-na da constitui&ccedil;&atilde;o de um buj&atilde;o de gás, os cabelos mal tingidos com raízes brancas sempre expostas e uma personalidade repulsiva e autoritária, no entanto, eliminaram qualquer chance de que o fen&ocirc;meno da adolesc&ecirc;ncia pudesse repetir-se na idade adulta.</p>
<p align="justify">Tudo o que conseguiu, os que p&ocirc;de agregar a seu redor, foram pessoas que temiam as consequ&ecirc;ncias de rejeitá-la, algumas t&atilde;o más ou piores do que ela. A ilus&atilde;o de poder dava-lhe algo em que se fiar para manter esses escassos amigos por perto.</p>
<p align="justify">N&atilde;o durou.</p>
<p align="justify">A mania substituiu a ilus&atilde;o.</p>
<p align="justify">A psique naufragou bem antes das crises seguidas de hipertens&atilde;o, causada pela aus&ecirc;ncia de qualquer dieta e consumo de condimentos em propor&ccedil;&otilde;es industriais.</p>
<p align="justify">Ninguém compareceu ao enterro. Nem por temor, nem por respeito, nem por amizade.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/labirinto2.wordpress.com/260/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/labirinto2.wordpress.com/260/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/labirinto2.wordpress.com/260/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/labirinto2.wordpress.com/260/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/labirinto2.wordpress.com/260/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/labirinto2.wordpress.com/260/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/labirinto2.wordpress.com/260/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/labirinto2.wordpress.com/260/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/labirinto2.wordpress.com/260/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/labirinto2.wordpress.com/260/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/labirinto2.wordpress.com/260/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/labirinto2.wordpress.com/260/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/labirinto2.wordpress.com/260/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/labirinto2.wordpress.com/260/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=labirinto2.wordpress.com&amp;blog=7568955&amp;post=260&amp;subd=labirinto2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>02. Paralisada</title>
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		<pubDate>Sun, 31 Oct 2010 03:07:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Abs Moraes</dc:creator>
				<category><![CDATA[K.I.S.S.]]></category>
		<category><![CDATA[Minotauro]]></category>

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		<description><![CDATA[Ela n&#227;o cede, continua resistindo. Isso é insuportável. Praticamente todos se curvam, aderem ou n&#227;o se posicionam. N&#227;o ela. Parece que p&#244;s para si como miss&#227;o tornar minha vida um inferno, demonstrar que sou incapaz de fazer qualquer coisa de forma competente, descompromissada, sem ter em vista levar algum tipo de vantagem&#8230; e também que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=labirinto2.wordpress.com&amp;blog=7568955&amp;post=259&amp;subd=labirinto2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Ela n&atilde;o cede, continua resistindo. Isso é insuportável. Praticamente todos se curvam, aderem ou n&atilde;o se posicionam. N&atilde;o ela. Parece que p&ocirc;s para si como miss&atilde;o tornar minha vida um inferno, demonstrar que sou incapaz de fazer qualquer coisa de forma competente, descompromissada, sem ter em vista levar algum tipo de vantagem&#8230; e também que uso de meios excusos pra atingir meus objetivos.</p>
<p align="justify">Talvez esteja certa. As pessoas cedem ao ouvir minha voz, aceitam uma autoridade que, de fato, n&atilde;o sei se tenho. É tudo encena&ccedil;&atilde;o. Jamais admitiria isso em público, mas n&atilde;o sei o que estou fazendo em 99% do tempo.</p>
<p align="justify">Aceito servir de fachada, de testa de ferro para o projeto de uma colega, assino-o como se fosse meu com o objetivo de desafiá-la, de demonstrar que sou capaz de fazer mais e melhor, de ir mais longe do que ela. A decep&ccedil;&atilde;o é inevitável porque minha colega, como eu, n&atilde;o sabe o que está fazendo e, suspeito, &agrave;s vezes, sequer o que está dizendo 100% do tempo. Eu com certeza n&atilde;o sei do que ela tanto fala. Pra mim é ininteligível.</p>
<p align="justify">Ent&atilde;o eis o que planejei pra abalar a confian&ccedil;a dela&#8230; é uma estratégia antiga, dividir para conquistar. Foi o que aconteceu quando minha xará, a de Tróia, serviu como pomo da discórdia entre cidades que já eram rivais mas precisavam de um motivo para irem &agrave;s últimas consequ&ecirc;ncias. Uso alguém que lhe importa. Mino a confian&ccedil;a dessa pessoa. Tor&ccedil;o fatos, demonstro que, se n&atilde;o fizer o que pe&ccedil;o, será prejudicada.</p>
<p align="justify">A mocinha é ótima, age exatamente como espero, trai sua mentora.</p>
<p align="justify">Que, claro, n&atilde;o se faz de rogada e a descarta de imediato.</p>
<p align="justify">Fica evidente que sou a causadora da situa&ccedil;&atilde;o.</p>
<p align="justify">A pequena Páris é uma covarde. Ao invés de assumir sua responsabilidade, joga tudo em meu colo. Será que acreditou mesmo que seria indispensável pra qualquer uma de nós? Pensou que nos confrontaríamos diretamente por sua causa?</p>
<p align="justify">Ela perdeu a utilidade. Tento descobrir quem será a substituta. Abordo-as nos corredores, sorrio, questiono.</p>
<p align="justify">Meu novo instrumento responde, sorri de volta, me dá aten&ccedil;&atilde;o.</p>
<p align="justify">Em seguida procura um adulto responsável &nbsp;e diz que uma das supervisoras a assediou. Sou for&ccedil;ada a responder a um processo e exonerada. Qualquer no&ccedil;&atilde;o de impropriedade que ainda tenho se esvai gradualmente. Cedo &agrave; minha verdadeira natureza.</p>
<p align="justify">N&atilde;o consigo descobrir qual foi meu primeiro erro. Sinto-me incapaz, paralisada.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/labirinto2.wordpress.com/259/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/labirinto2.wordpress.com/259/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/labirinto2.wordpress.com/259/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/labirinto2.wordpress.com/259/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/labirinto2.wordpress.com/259/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/labirinto2.wordpress.com/259/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/labirinto2.wordpress.com/259/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/labirinto2.wordpress.com/259/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/labirinto2.wordpress.com/259/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/labirinto2.wordpress.com/259/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/labirinto2.wordpress.com/259/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/labirinto2.wordpress.com/259/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/labirinto2.wordpress.com/259/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/labirinto2.wordpress.com/259/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=labirinto2.wordpress.com&amp;blog=7568955&amp;post=259&amp;subd=labirinto2&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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